A inadimplência voltou a crescer na Bahia em junho e atingiu 5.194.983 consumidores com o nome negativado, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O total representa aumento de 0,3% em relação a maio, quando o estado registrava 5.179.426 inadimplentes, acompanhando a tendência nacional de retomada do crescimento após a desaceleração observada no mês anterior. Turismona Bahia
Os consumidores baianos acumulam 15.551.695 dívidas, que somam mais de R$ 23,27 bilhões. As maiores parcelas dos débitos estão concentradas em bancos e cartões de crédito, responsáveis por 32,22% do total, seguidos pelas financeiras, com 22,71%, e pelo varejo, com 14,48%. No país, a inadimplência cresceu 0,28% em junho, o equivalente à entrada de mais de 234 mil pessoas no cadastro de negativados. Apesar de representar o dobro da variação registrada em maio, o índice ainda é o segundo menor avanço mensal do ano, de acordo com a Serasa.
Dívidas
Os brasileiros somam 345,5 milhões de dívidas em aberto, que ultrapassam R$ 579,5 bilhões. O valor médio devido por consumidor chegou a R$ 6.920,63, enquanto 50,9% da população adulta do país possui alguma restrição no CPF. Segundo a especialista em educação financeira da Serasa, Laís Kiyusato, o crescimento registrado em junho mostra que a pressão sobre o orçamento das famílias continua, embora em ritmo mais moderado do que o observado nos primeiros meses do ano.
"O cenário continua desafiador para muitas famílias, que vão seguir convivendo com um orçamento pressionado por fatores como um custo de crédito elevado, a necessidade de priorizar despesas essenciais por conta do custo de vida e um ambiente que exige cautela na gestão financeira", afirma.A especialista explica que a Bahia repetiu o comportamento nacional, com pequeno aumento do número de inadimplentes. Para ela, o resultado indica que muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para equilibrar as despesas diante do custo elevado do crédito e da necessidade de priorizar gastos considerados essenciais. O perfil da inadimplência no estado também revela concentração entre consumidores em idade economicamente ativa. Segundo Kiyusato, o maior contingente de pessoas com dívidas está na faixa de 41 a 60 anos, seguida pelo grupo entre 26 e 40 anos, público que normalmente reúne despesas relacionadas à manutenção da família, moradia, educação e acesso ao crédito. Turismona Bahia
Mulheres
A distribuição entre homens e mulheres é considerada equilibrada, com leve predominância feminina entre os consumidores negativados na Bahia. A especialista destaca ainda que o maior peso do endividamento permanece nas operações de crédito, especialmente em bancos, cartões e financeiras, modalidades que costumam comprometer parte significativa da renda familiar. Turismona Bahia
Entre os estados brasileiros, apenas sete registraram redução no número de consumidores inadimplentes em junho, metade do observado em maio, quando 14 unidades da federação apresentaram queda. O levantamento aponta que bancos e instituições financeiras concentram 46,9% das dívidas no país, seguidos pelas contas básicas, com 21,3%, e pelo setor de serviços, responsável por 11,7%.
Em meio ao avanço da inadimplência, a Serasa prorrogou a campanha de renegociação de dívidas realizada pela plataforma Serasa Limpa Nome, que reúne ofertas de bancos, empresas do varejo, instituições financeiras e securitizadoras. Segundo a empresa, mais de 111 mil consumidores utilizaram cupons de desconto desde o início da ação, em maio, obtendo abatimentos que, juntos, ultrapassaram R$ 974 milhões.
De acordo com Kiyusato, antes de aderir a uma renegociação, o consumidor deve avaliar quais dívidas comprometem mais o orçamento e verificar se as parcelas cabem na renda mensal. Ela afirma que a negociação deve representar o início de uma reorganização financeira, acompanhada do controle das receitas e despesas e do uso planejado do crédito para reduzir o risco de novas restrições no futuro.
Tribuna da Bahia / Por Livia Veiga
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

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