A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial de Jacobina e da 16ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (COORPIN/Jacobina), avançou significativamente nas investigações sobre o homicídio da empresária MARIANE JESUS DA CRUZ, de 35 anos, executada a tiros no dia 2 de agosto de 2025, no bairro Mundo Novo, em Jacobina.
As investigações apontam que o crime está relacionado a disputas internas envolvendo uma organização criminosa que atuava na região e que era liderada por CEZAR NATIVO DE OLIVEIRA NETO após a morte de UBIRAJARA FERREIRA REQUIÃO, conhecido como “Bira”.
Em março de 2025, CEZAR foi assassinado no município de Ubatuba (SP). O homicídio chamou a atenção de integrantes da organização criminosa porque a vítima encontrava-se distante de Jacobina, adotando medidas para ocultar sua localização e compartilhando seu paradeiro com pouquíssimas pessoas. A circunstância levantou suspeitas de que alguém próximo teria repassado informações aos executores.
No curso das investigações, surgiram elementos indicando que MARIANE poderia ter participado do planejamento da morte de CEZAR. Segundo apurado pela Polícia Civil, E.M.R., integrante do grupo criminoso e pessoa próxima ao antigo líder, teria conseguido acessar dados armazenados no aparelho celular de MARIANE e, a partir dessas informações, passado a sustentar que ela teria fornecido aos executores detalhes sobre a localização de CEZAR, figurando como possível mandante do crime.
A descoberta provocou forte revolta entre integrantes da organização criminosa. Mensagens obtidas durante as investigações mostram que E.M.R. passou a responsabilizar MARIANE pela morte de CEZAR e a atribuir a ela interesse no patrimônio deixado por ele. Os diálogos revelam um crescente sentimento de vingança, incluindo referências ao desejo de queimá-la viva. Em diversas conversas, E.M.R. demonstrava convicção de que a vítima seria morta, chegando a afirmar que ela já estaria "fedendo" sem saber, em clara alusão a uma execução que, segundo ele, estava por vir.
As investigações também revelaram que E.M.R. passou a monitorar a rotina de MARIANE em Jacobina. Parte significativa dessas informações era obtida por intermédio de Y.S.S., que enviava fotografias atualizadas da vítima, informava seus deslocamentos, locais frequentados e outros detalhes de sua movimentação cotidiana. Os diálogos analisados demonstram que o acompanhamento da rotina da empresária intensificou-se nos dias que antecederam o crime.
De acordo com a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam que o homicídio de MARIANE foi planejado como uma retaliação pela morte de CEZAR. As provas apontam que E.M.R. teria atuado na articulação da ação criminosa, contando com o auxílio de Y.S.S. no monitoramento da vítima e com a participação de M.W.F.S. na execução do crime.
Com base nos elementos reunidos, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos investigados. Os pedidos foram deferidos pela Justiça e os mandados cumpridos na data de hoje.