A Justiça decretou, com parecer favorável do Ministério Público da Bahia (MPBA), a prisão preventiva de sete suspeitos de envolvimento em episódios de violência registrados no último domingo (23), antes do clássico Ba-Vi, em Salvador. As decisões foram proferidas pela 1ª Vara das Garantias da Capital durante audiências de custódia realizadas nesta terça-feira (25), após manifestação do Ministério Público pela manutenção das prisões e conversão em preventiva para garantia da ordem pública e preservação das investigações.
A Justiça converteu em prisão preventiva as detenções de seis investigados por participação em um ataque ocorrido na Avenida 29 de Março, na região de Cajazeiras VIII, que resultou na morte do torcedor José Alexandre Souza Borges e deixou outras vítimas feridas. Segundo a investigação policial, o grupo integrava uma ação coletiva formada por dezenas de integrantes da Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI), que teriam utilizado veículos para interceptar torcedores rivais, provocando a colisão de motocicletas e cercando as vítimas com facas, barras de ferro, pedaços de madeira, socos-ingleses, pedras e artefatos explosivos improvisados.
Conforme a decisão judicial, um dos investigados foi reconhecido por vítimas como um dos participantes diretos das agressões e apontado como um dos ocupantes do veículo utilizado na ação. Com ele teriam sido encontradas vestimentas com vestígios de sangue e um soco-inglês. Outros três foram localizados entre 15 e 30 minutos após os fatos, a cerca de 300 metros do local do crime, junto a outros integrantes da torcida organizada, apresentando manchas aparentes de sangue em roupas, calçados ou no corpo, circunstâncias consideradas relevantes para a investigação.
Ao acolher o parecer ministerial, a Justiça ressaltou a gravidade concreta dos fatos, destacando que a vítima fatal sofreu múltiplas perfurações por arma branca e que as demais vítimas só conseguiram escapar das agressões ao buscar refúgio em áreas de mata e barrancos próximos. Segundo a decisão, os elementos reunidos apontam para uma ação planejada, executada por um grande grupo de pessoas e marcada pelo uso de diversos instrumentos ofensivos, circunstâncias que justificam a manutenção da prisão cautelar dos investigados.
Em procedimento distinto, também relacionado aos episódios de violência envolvendo torcidas organizadas antes da partida, a Justiça converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de um sétimo envolvido. Conforme os autos, ele foi abordado por policiais militares na Avenida Afrânio Peixoto, no bairro do Lobato, em um veículo ocupado por integrantes da torcida organizada “Os Imbatíveis”, em posse de um artefato explosivo artesanal, rojões, socos-ingleses, canivetes, barras de ferro, tinta spray, cordas, faixas e outros materiais associados à torcida organizada. Segundo registrado na decisão, o próprio investigado teria informado em interrogatório que transportava barras de ferro para eventual confronto com integrantes de torcida rival.
Ao defender a conversão da prisão em flagrante em preventiva, o Ministério Público sustentou que a apreensão do explosivo artesanal e dos demais objetos potencialmente utilizados em confrontos evidenciava risco concreto à ordem pública. O entendimento foi acolhido pelo Judiciário, que destacou a periculosidade da conduta, o contexto de rivalidade entre torcidas organizadas e a necessidade de evitar novos episódios de violência.
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