

Os dados impressionam. Juntos, se fossem colocados numa fila, os gafanhotos formariam uma linha com cerca de sessenta quilômetros de extensão – explica-se, então, porque são chamados de nuvens: eles encobrem a luz do sol, feito os pássaros do amedrontador filme homônimo de Alfred Hitchcock. Para se ter uma ideia, um enxame de gafanhotos com a dimensão de um quilômetro quadrado consegue ingerir, em apenas vinte e quatro horas, a quantidade de alimentos suficiente para nutrir trinta e cinco mil pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A presença de gafanhotos na região não é novidade. O que assusta, dessa vez, é a quantidade deles. Na Somália e na Etiópia as nuvens são as maiores dos últimos vinte e cinco anos. De acordo com a ONU, não há precedentes históricos que se equiparem a tal fenômeno. No Quênia, por exemplo, a FAO detectou que a presença do inseto é a pior em sete décadas. O cientista Roxy Koll Mathew, do Instituto Indiano de Meteorologia Tropical, é categórico: o crescimento do número de ciclones na Península Arábica, especialmente em Omã, seguido por chuvas intensas, estimulou a reprodução desenfreada do inseto. O deslocamento em massa dos gafanhotos já ligou o sinal de alerta em outros países, como Índia, Paquistão, Arábia Saudita e Iêmen. Especialistas alegam que um novo ciclo de reprodução previsto para junho pode aumentar em até quinhentas vezes as nuvens arrasadoras.
IstoÉ

Nenhum comentário:
Postar um comentário