Uma denúncia envolvendo o pagamento de trabalhadores terceirizados responsáveis pela limpeza urbana tem gerado indignação em Retirolândia, município localizado na região do Sisal. Segundo relato encaminhado ao portal ATarde, funcionários que atuam na varrição e manutenção de espaços públicos estariam recebendo cerca de R$ 500 mensais.
A informação foi divulgada pelo advogado e ex-vereador da cidade, Aquiles Nereu, que afirma ter recebido relatos de trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura para executar serviços de limpeza pública.
De acordo com o ex-edil, os profissionais realizam atividades como varrição de ruas e praças, capina, roçagem e manutenção de áreas públicas, tanto na sede quanto em comunidades da zona rural do município.
Segundo ele, a carga horária seria de 20 horas semanais, mas o valor pago estaria abaixo do esperado para esse regime de trabalho. “Recebem R$ 500 por 20 horas de trabalho semanais. Esse é o valor mensal que está sendo pago”, afirmou o advogado em denúncia publicada nas redes sociais.
Ainda conforme Aquiles Nereu, o modelo de pagamento teria começado por volta de março de 2025, período em que a empresa terceirizada passou a assumir parte dos serviços urbanos no município.
Retirolândia: denúncia diz que trabalhadores da limpeza recebem R$ 500 por mês
A denúncia rapidamente repercutiu entre moradores da cidade. “Foi divulgado nas redes sociais e a maioria das pessoas ficou indignada, sem acreditar”, disse.
Atualmente, o salário mínimo nacional em 2026 é de R$ 1.621, valor em vigor desde 1º de janeiro, conforme o Decreto 12.797/2025. Em casos de jornada parcial, como 20 horas semanais, o pagamento pode ser proporcional ao mínimo referente à jornada integral de 44 horas semanais.
Nesse cenário, o valor estimado para metade da jornada seria aproximadamente R$ 800 a R$ 850 por mês, além de benefícios como vale-transporte e vale-alimentação, quando previstos em acordos coletivos da categoria.
Na avaliação do advogado, mesmo levando em consideração a carga horária reduzida, o valor denunciado estaria abaixo do patamar mínimo esperado. “Quem trabalha 40 horas recebe o salário mínimo. Quem trabalha 20 horas deveria receber pelo menos meio salário mínimo, algo em torno de R$ 800”, argumentou.
Aquiles Nereu também questiona a falta de transparência na relação entre a prefeitura e a empresa responsável pelo serviço. Segundo ele, não há informações públicas sobre quantos trabalhadores estariam sendo afetados.
“Essa informação ninguém tem. Só o dono da empresa sabe, porque é uma planilha que eles fazem lá e ninguém tem acesso. A empresa recebe da prefeitura e repassa R$ 500 aos trabalhadores”, declarou.
O ex-vereador afirmou ainda que a situação seria de conhecimento da Secretaria de Infraestrutura do município. “O secretário sabe e compactua”, concluiu.
Até o momento, a Prefeitura de Retirolândia e a empresa terceirizada citada na denúncia não se manifestaram publicamente sobre o caso

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