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Vídeo: Executivo chileno é preso por homofobia e racismo em voo da Latam

 

Após o crime executivo foi afastado de suas funções na gerência da Landes Alimetos


Um executivo chileno foi detido nesta sexta-feira (dia 15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após fazer comentários racistas e homofóbicos dentro de um avião contra membros da tripulação e passageiros. Em uma das ofensas, ele ofende um comissário dizendo que tem "cheiro de negro brasileiro" e afirma que ser gay "é um problema".

O episódio ocorreu em 10 de maio, no voo LA8070 da Latam Airlines, que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. 


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Ele foi detido quase uma semana depois, no retorno de sua viagem ao exterior, após participar de uma feira internacional a trabalho.

Germán Naranjo Maldini atuava como gerente da Landes, uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha. Na noite de sexta-feira, a Landes afastou “formal e preventivamente” o executivo de suas funções, de acordo com a imprensa chilena.



No primeiro trimestre de 2026, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) registrou alta de 19% dos casos de indisciplina em voos domésticos, na comparação com os primeiros três meses do ano passado.


Novas regras que começam a vigorar em setembro preveem multa de até R$ 17,5 mil a passageiros aéreos indisciplinados e até mesmo o banimento dos aeroportos por 12 meses, conforme a gravidade da ocorrência.


A agressão do empresário chileno no voo que seguia para Frankfurt começou quando ele tentou abrir a porta do avião e foi impedido pela tripulação.


Uma pessoa que estava a bordo gravou um vídeo do comportamento de Maldini que viralizou nas últimas horas, no qual podem ser ouvidos os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação.


Ofensas diversas

— Ele é gay contra mim — disse inicialmente.


— Qual é o problema?— perguntou uma comissária.


E o chileno, que insistia em afirmar que tinha um problema com o funcionário da companhia aérea, respondeu:


— Ninguém tem problema algum, ele tem um problema comigo. Os gays já basta serem tão... tão... — disse sem conseguir completar a frase,


Depois complementou:


— É um problema, para mim, ser gay.



A agressão continuou diante da indignação do restante da tripulação, desta vez com comentários racistas:


— A pele negra. O que mais... o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro.


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Uma das comissárias a bordo afirmou ao viajante: “Vamos desembarcar, porque você está incomodando, agredindo”. Mas ele respondeu de forma desafiadora:


— Uh, que medo — disse, depois olhando para outra pessoa: — Esse aí eu não conheço. Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores — provocou para, em seguida, fazer sons semelhantes aos de um macaco.


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Segundo o jornal argentino La Nación, a vítima registrou denúncia junto à Polícia Federal, o que deu início a uma investigação que terminou com uma ordem de prisão preventiva contra Maldini emitida pela Justiça Federal.


Procurada, a Latam informou que Maldini foi detido na última sexta-feira no Aeroporto de Guarulhos, quando retornava ao Brasil para fazer conexão em seu voo.


De acordo com o La Nación, o empresário compareceu perante o juiz em uma audiência de custódia no mesmo dia e, posteriormente, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde permanece à disposição da Justiça.



Em nota, a Latam disse que condena energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A empresa disse ainda que está oferecendo apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima dessa violência”.


Afastado do cargo

Após os fatos, a Landes divulgou um comunicado no qual repudiou a conduta de seu funcionário. “A Landes condena de maneira categórica e sem nuances qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia. Esse tipo de conduta é absolutamente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que rege todos os colaboradores da empresa”, afirmou a companhia.


No documento, a empresa pesqueira esclareceu que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que não havia sido notificada da prisão antes de ela se tornar pública.


Na manhã deste sábado, em comunicado aos funcionários, a empresa disse que "enquanto se apuram todas as informações necessárias, Landes decidiu afastar formal e preventivamente Germán Naranjo de suas funções", segundo o portal chileno Bio Bio Chile.


Crime com punição no Brasil

Desde 2023, o Brasil equiparou a injúria racial ao crime de racismo, com endurecimento das penas: o crime tornou-se imprescritível e inafiançável na esfera policial.


A legislação prevê penas de dois a cinco anos de prisão, além de multas. Também em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que insultos homofóbicos são puníveis com pena de prisão.



O caso de Maldini ocorre pouco tempo depois do episódio envolvendo a advogada argentina Agostina Páez, que foi processada por fazer gestos imitando um macaco em direção a funcionários de um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro.


A mulher permaneceu três meses em prisão domiciliar no Brasil até que a Justiça local decidiu retirar sua tornozeleira eletrônica, devolver seu passaporte e exigir o pagamento de uma fiança de aproximadamente US$ 20 mil para permitir sua saída do país. Foi exigida ainda a fixação de um endereço na Argentina para futuras notificações



O Globo 

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