
A polícia solicitou à Justiça a apreensão de um adolescente de 17 anos, suspeito de participar do planejamento do atentado a escola Raul Brasil, na cidade de Suzano, nesta quarta-feira (13). A informação foi confirmada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, nesta quinta-feira (14). “A terceira pessoa é um adolescente, a apreensão dele já foi sugerida ao juiz da infância e da juventude e o material relacionado com a participação dele já está arrecadado”, disse Fontes. A polícia chegou até o terceiro suspeito depois que o dono do estacionamento onde a dupla de atiradores guardou o carro teria informado sobre a participação de uma outra pessoa. "Temos outros dados que fazem crer que esse indivíduo participou pelo menos da fase de planejamento”.
As investigações apontam que os jovens receberam dicas de um extremista brasiliense antes de praticar o crime. Segundo informações do Correio Braziliense, Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, usaram o Dogolachan, maior fórum de propagação de ódio na internet brasileira, para juntar dicas e fazer planos para o ataque. A página foi criada por Marcelo Valle Silveira Mello, condenado por racismo, coação, associação criminosa, incitação ao cometimentos de crimes, divulgação de imagens de pedofilia e terrorismo cometidos na internet. Entre outros, ele havia anunciado um atentado na Universidade de Brasília (UnB) e feito ameaças a uma professora da instituição. O Dogolachan só é acessível na dark net, conhecido por ser um espaço para debate sobre prática de crimes, violação de direitos humanos, propagação de racismo, homofobia e misoginia. Na quinta-feira (13), após o atentado, integrantes do fórum chegaram a celebrar os assassinatos no interior de São Paulo, incitando mais ações de violência. Uma semana antes, um dos atiradores publicou um agradecimento ao administrador do fórum, conhecido como DPR. “Muito obrigado pelos conselhos e orientações, DPR. Esperamos do fundo dos nossos corações não cometer esse ato em vão.
Fontes apontaram que a motivação do atentado na escola teria sido por reconhecimento de parte da comunidade, aparecer na mídia: “Esse foi o principal objetivo, não tinha outro”, disse delegado. “Não se sentiam reconhecidos, queriam demonstrar que podiam agir como em Columbine, com crueldade”, completou.

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